Resultados da pesquisa

Eficiência Alimentar na Lactação: Por que devemos falar sobre isso?

Apresentados durante o GESTAL Swine Summit 2025, os Drs. Carine Vier e Hyatt Frobose focaram na redefinição da eficiência alimentar na lactação em porcas modernas.

Eles questionaram pressupostos arraigados sobre o consumo de ração e as alterações na composição corporal das porcas, apresentando uma nova forma de avaliar o desempenho que inclui tanto a produção quanto os custos biológicos.

Carine Vier and Hyatt Frobose on stage during the GESTAL Swine Summit

Pontos-chave

  • A eficiência alimentar na lactação é mais complexa do que as métricas tradicionais sugerem
  • As porcas modernas têm maiores demandas, mas consumo limitado, aumentando a dependência das reservas corporais
  • As medidas tradicionais podem ocultar ineficiências ao ignorar a perda de gordura e músculo
  • Porcas com alto desempenho e leitegadas numerosas podem diferir muito no impacto sobre a condição corporal
  • Há grande variação individual entre as porcas, especialmente nas leitoas
  • As novas categorias mostram que alta produção não significa verdadeira eficiência
  • O consumo de ração no início da lactação é determinante para a eficiência geral
  • Uma melhor medição e a alimentação de precisão são essenciais para a evolução de resultados

O que é Eficiência Alimentar na Lactação?

A eficiência alimentar na lactação é a capacidade de uma porca de converter o consumo de ração e as reservas corporais em produção de leite, minimizando ao mesmo tempo uma perda excessiva de condição corporal. Depende de três componentes: consumo de ração (energia externa), mobilização de reservas corporais (energia interna) e produção de leite para desenvolvimento da leitegada (produção).

Como afirmou a Dra. Carine Vier durante a apresentação: “A eficiência alimentar durante a lactação não é apenas uma métrica de alimentação… precisamos levar em conta o que está acontecendo com a porca.”

As métricas tradicionais, como ração por kg de ganho de leitegada ou ração por leitão desmamado, ignoram a mobilização de reservas corporais e, portanto, são incompletas. Consideremos duas porcas com crescimento de leitegada semelhante: uma consome menos ração e parece mais eficiente pelas métricas tradicionais, mas alcança esse desempenho mobilizando significativamente mais gordura e músculo corporais. A outra mantém ou até melhora sua condição corporal.

A primeira porca não é verdadeiramente mais eficiente. Ela depende mais de suas próprias reservas corporais, gerando um custo biológico maior que exigirá recuperação adicional no próximo ciclo e pode reduzir sua longevidade e desempenho reprodutivo.

Importance of Lactation Feed Efficiency
Modern High-producing Lactating Sow

Por que as porcas modernas exigem uma nova abordagem?

As porcas modernas desmamam leitegadas maiores e mais pesadas, são mais magras e enfrentam demandas de lactação aproximadamente 40% mais altas do que no passado. Como o consumo de ração não aumentou proporcionalmente, a dependência das reservas corporais cresceu.

A condição durante a gestação também tem impacto direto. Como explicou a Dra. Vier: “Quando as porcas não ganham peso corporal durante a gestação… elas priorizam reconstruir suas próprias reservas na lactação, mesmo que isso signifique que a leitegada não receba tanto leite.” Isso cria um compromisso biológico fundamental entre apoiar a leitegada e restaurar a porca, e ajuda a explicar grande parte da variabilidade na eficiência observada entre os animais.

As quatro categorias de eficiência: Egoísta, Ineficiente, Mártir e Super

Estudo 1 Brenneman Pork (~900 porcas, Iowa)

Utilizando os alimentadores de precisão GESTAL Quattro Opti para capturar o consumo individual de ração juntamente com peso corporal, espessura de toucinho, profundidade do lombo e dados da leitegada, as porcas foram classificadas em quatro categorias de eficiência:

• Egoísta: baixa produção de leite, baixo catabolismo
• Ineficiente: baixa produção de leite, alto catabolismo
• Mártir: alta produção de leite, alto catabolismo
• Super: alta produção de leite, baixo catabolismo

As porcas Mártir representaram o maior grupo (~44% das leitõas, ~36% das porcas multipáras), enquanto as porcas Super constituíram uma minoria (<20%). Aproximadamente 80% das leitõas caíram nas categorias de alto catabolismo, tornando-as a população de maior risco. Notavelmente, ~30% das porcas multíparas estavam mais pesadas no desmame do que no parto, questionando a suposição de que todas as porcas perdem reservas corporais durante a lactação.

The Fourth Efficiency Categories

O estudo também constatou que a alteração na espessura de toucinho se correlacionou fortemente com a mobilização lipídica estimada, enquanto a profundidade do lombo mostrou fraca correlação com a mobilização de proteínas, sugerindo que as equações atuais podem não refletir com precisão a perda muscular em genótipos modernos mais magros. O peso corporal isolado não foi um indicador confiável da mobilização de tecidos.

Os padrões de consumo de ração também foram determinantes. As porcas foram classificadas em seis padrões: Rápido, Maior, Menor, Gradual, Baixo-Alto-Alto (BAA) e Baixo-Baixo-Baixo (BBB). Aproximadamente 75% das porcas seguiram padrões aceitáveis, enquanto ~25% apresentaram padrões subotimos. As porcas BBB, com consumo cronicamente baixo, enfrentaram o maior risco. As porcas BAA, com baixo consumo no início da lactação, tiveram perdas na primeira semana. Os padrões de consumo subotimos se correlacionaram fortemente com maior catabolismo e menor eficiência, e as leitõas apresentaram maior prevalência desses padrões do que as porcas multipáras. O consumo de ração no início da lactação foi identificado como fator determinante da produção de leite, da mobilização de reservas corporais e da eficiência geral.

Apesar dessas diferenças em eficiência e catabolismo, nenhum impacto reprodutivo significativo a curto prazo foi observado no intervalo desmame-estro, na expressão do estro, na taxa de parto ou no tamanho da leitegada subsequente, embora os efeitos a longo prazo permaneçam desconhecidos.

Limitar o consumo de ração pode melhorar a eficiência?

Estudo 2 Brenneman Pork (~315 porcas multipáras)

Dado que algumas porcas ganhavam peso corporal durante a lactação, o estudo testou se limitar o consumo de ração após o pico de lactação (~dia 10) poderia melhorar a eficiência sem prejudicar o desempenho. A hipótese era que após o pico de lactação, algumas porcas não mais necessitam de consumo ilimitado de ração.

Duas estratégias foram comparadas: alimentação ad libitum durante toda a lactação versus alimentação ad libitum até aproximadamente o dia 10, seguida de limitação do consumo de ração no meio e no final da lactação.

Study 2: Controlling Max Feed Intake in Late Lactation

Resultados: o grupo com consumo limitado consumiu aproximadamente 700 g/dia a menos de ração sem impacto negativo no tamanho da leitegada, no crescimento da leitegada ou no desempenho reprodutivo. Isso sugere que algumas porcas consomem mais energia do que o necessário no final da lactação, e que o consumo excessivo não se traduz em maior produção de leite, podendo contribuir para o ganho de peso corporal e uso ineficiente de nutrientes.

Study 2: Controlling Max Feed Intake in Late Lactation

O que isso significa para o gerenciamento da alimentação de precisão

Ambos os estudos apontam para a mesma mudança: a alimentação na lactação não deve ser igual para todas as porcas. A verdadeira eficiência exige medir conjuntamente o consumo de ração, a mobilização de reservas corporais e a produção. Tanto a sobrealimentação quanto a subalimentação reduzem a eficiência. Uma produção elevada não indica necessariamente verdadeira eficiência, e a mobilização de reservas corporais é um componente crítico, mas muitas vezes invisível, da equação.

As principais implicações para a produção suína incluem:

  • Não se deve alimentar todas as porcas da mesma forma durante a lactação
  • O consumo de ração no início da lactação continua sendo um ponto de controle crítico
  • As leitõas representam a população mais vulnerável e exigem manejo específico
  • Medir a condição corporal por meio da espessura de toucinho e profundidade do lombo é essencial para avaliar a eficiência com precisão
  • As tecnologias de alimentação de precisão que capturam dados individuais de cada porca são fundamentais para agir sobre essas descobertas
Importance of Lactation Feed Efficiency - Take home Messages

Como concluiu o Dr. Hyatt Frobose: “Se temos os dados, existem oportunidades para personalizar o gerenciamento alimentar.”

Presentation: Lactational Feed Efficiency: Why Should We Talk About it?

Conteúdo recolhível

How do I stop my sow from losing too much weight during lactation?

Maximizing feed intake in the first seven to ten days after farrowing is the most effective lever. Research conducted with GESTAL Quattro Opti precision feeders on nearly 900 sows at Brenneman Pork (Iowa) identifies early lactation intake as the single most critical driver of body reserve mobilization. Sows with chronically low intake in that first week cannot compensate later and burn significantly more body fat and muscle throughout lactation.

Gestation condition compounds the risk. Sows entering the farrowing crate under-conditioned will prioritize rebuilding their own reserves over milk production, increasing body loss regardless of lactation feeding. GESTAL Quattro Opti feeders capture individual intake curves from day one, allowing producers to identify and intervene on at-risk sows before body condition damage accumulates.

How does body condition at weaning affect next litter size?

Sows that mobilize excessive body fat and muscle during lactation carry a biological debt into the next reproductive cycle. Research enabled by GESTAL Quattro Opti precision feeders, which track individual feed intake alongside body weight, backfat, and loin depth measurements, shows that even when short-term metrics like wean-to-estrus interval appear unaffected, the recovery demand on the sow increases with every high-catabolism lactation.

The study at Brenneman Pork using GESTAL Quattro Opti found that the majority of sows, and up to 80% of gilts, fall into high-catabolism efficiency categories during lactation. Over successive parities, this pattern is directly associated with reduced sow longevity and declining reproductive performance. A sow that consistently exits lactation having burned excessive reserves is not a productive sow. She is a sow in chronic recovery.

Body condition at weaning, accurately measured through backfat and loin depth, is the most reliable indicator of whether a sow enters the next gestation with adequate reserves or begins the next cycle already in deficit. GESTAL Quattro Opti's individual sow data makes it possible to identify which animals are on this trajectory and act before it costs a parity.

How do I feed gilts vs. multiparous sows differently?

Gilts cannot be managed with the same lactation feeding program as mature sows. Research using GESTAL Quattro Opti precision feeders on nearly 900 sows found that approximately 80% of gilts fall into high-catabolism efficiency categories during lactation, compared to roughly 36% of multiparous sows. Gilts also show significantly higher rates of poor early-lactation intake, the window that most determines body reserve loss for the entire cycle.

In practice, gilts require more intensive monitoring from farrowing day one and earlier intervention when intake falls below curve. A one-size-fits-all feeding program without individual intake visibility systematically under-serves gilts every parity. GESTAL Quattro Opti precision feeders provide the per-animal data that makes parity-specific lactation management actionable at commercial scale.

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